As 10 Contradições do Espaço Público, segundo Dominique Wolton


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1-A TIRANIA DO ACONTECIMENTO
A informação contemporânea caracteriza-se, sobretudo, pela rapidez.Tornou-se comum o ‘’directo’’, ou seja, a coincidência, no espaço e no tempo, de um acontecimento com a sua divulgação. Agora a imagem tem um grande peso na organização informativa, e esta está mais do que nunca dependente do ‘’directo’’. Porém, a informação só feita de directos é impossível, não é uma boa informação. A rapidez do tempo tecnológico e a do tempo dos media, exercem uma grande pressão sobre o tempo histórico e da sociedade. O tempo histórico e da sociedade são superados pelos tempos tecnológico e dos media - o cidadão transforma-se em espectador.

2-O EXPOSITOR MEDIÁTICO
Ou seja, como os média explicam o Mundo. A grande contradição aqui é que arealidade dada pelos média é diferente da que nos é dada pela nossa experiência. Existe um bombardeamento mediático ilustrado pelo efeito boomerang (a mensagem vai e volta, não cola no receptor) e uma rejeição da informação, devido à quantidade exacerbada. Numa sociedade bombardeada pela informação, a experiência tende a cair para 2º plano. A informação é uma experiência artificial, de plástico.

3-COMUNICAÇÃO SEM TABUS
Os media são movidos por leis de mercado e por leis monetárias, estando completamente dependentes do sector económico. Os meios mais rentáveis são o audiovisual e o radiofónico. a dependência excessiva do lucro, leva a que exista liberdade a mais. O interesse público não é, muitas vezes, respeitado pelos media privados. Wolton sugere a introdução de um mecanismo de controlo de conteúdos. Para existir espaço público é necessário existir uma série de regras. A liberalização dos conteúdos é uma ameaça ao espaço público e uma ameaça a essas regras. Há alguém que decide os conteúdos a que somos expostos, o que fere de morte de morte todas as ideias pré-concebidas sobre liberdade informativa.

4-ESTANDARDIZAÇÃO
É a imposição de um padrão. Actualmente utiliza-se o discurso político para tratar qualquer assunto. O discurso político é redutor e simplificado, encaixando a sociedade em esquemas dicotómicos - sim/não ; certo/errado ; bem/mal. É por ser uma linguagem tão simples e eficaz que se utiliza para tratar todos os assuntos, criando-se um padrão redutor dos discursos informativos e mediáticos. Deste modo, ao serem tratados por esquemas dicotómicos, os temas perdem a sua essência.

5-A PERSONALIZAÇÃO
Este ponto tem a ver com o facto de dar uma cara ao acontecimento. O texto seco, sem rosto, não vende. O público é beneficiado, pois isto permite-lhe uma maior identificação com o tema. Contudo, existem temas que não devem ser tratados desta maneira, pois leva a uma distorção da informação. Estes temas, ao serem personificados, perdem parte do seu significado, que deveria de ser mais abrangente e desprovido de categorias.

6-A IDENTIFICAÇÃO
Acção é diferente de comunicação. Falar não é agir. As pessoas, ao verem um político discursar, pensam que este está a agir, o que está completamente errado. A comunicação é a religião do nosso tempo. Agir é escolher. Os políticos disfarçam a não tomada de decisões com camadas de informação.

7-O TEMA DAS TRANSPARÊNCIAS
A ideia de que a conjugação da informação dada pelos media com a informação veiculada pelas sondagens nos dá a percepção do Mundo está ultrapassada. O Mundo é demasiado complexo para caber no universo das sondagens e dos media. Estamos numa sociedade transparente, em que toda a gente pode ver tudo.

8-O IRENISMO COMUNICACIONAL
O 'irenismo' é um consenso, um acordo. Numa democracia temos de falar a mesma língua, para nos entendermos. Resolvemos os problemas pelo diálogo, pelas ideias, em vez de utilizarmos o confronto físico. A língua está ao serviço do confronto das ideias. Hoje usamos a mesma língua, não para confrontar ideias, mas sim para dizermos a mesma coisa. Esta linguagem comum leva as pessoas a ficarem demasiado de acordo umas com as outras, o que é mau, pois assim nasce o pensamento único. Este problema agravou-se com o fim da Guerra Fria, em que só um bloco triunfou.

9-A ALDEIA GLOBAL
O Mundo é uma aldeia global em termos de técnicas, mas não em termos de aceitação de uma notícia. Há uma interacção entre o que nos chega e a nossa cultura. A aceitação de uma notícia é obviamente diferente para um português e para um japonês. A aldeia global, é assim, uma utopia não realizada, passando o pleonasmo.

10-UM ESPAÇO PÚBLICO SEM FRONTEIRAS
Estão a abolir-se as das fronteiras do 'privado'. O espaço público invade o espaço privado, com a discussão de temas do foro íntimo como a sexualidade e a morte. Está a verificar-se cada vez mais a unidimensionalidade do nosso meio, ou seja, uma sociedade com as mesmas ideias. Revela-se uma forte tendência para o esvaziamento do espaço privado.


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