Deleuze - Considerações Avulsas


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Todo o devir é duplo :
O indizivel torna-se dizivel
A linguagem também tem de mudar para suportar o novo dizivel. O indizivel torna-se possivel graças à linguagem, mas não deixa de ser extra-linguistico

O devir é viver no que se escapa a qualquer codificação, é extrair maneiras de viver que fujam à norma, que não sejam dominantes na sua forma de existir, é não abusar dos clichés, dos dualismos, e traçar novos territórios, novas linhas de fuga. É pensar numa contra-cultura, numa cultura de sabotagem à tradição vigente. O devir é sabotar a tradição, é a alternativa, é o escape, é a libertação do pensamento da hierarquia da árvore (Chomsky).

Devir é a criação, é a fuga à filosofia que só se preocupa em analisar, criticar e estudar os velhos filosofos, em vez de tentar criar novas ideias, de por em causa, de começar a partir do meio. Romper com a norma implica ser gago. Os livros mais belos estão escritos numa espécie de lingua estrangeira, porque os seus autores são gagos, usam a gaguez, para escrever. Saramago e Kafka escrevem num estilo que não se inclui nos estilos mais populares, nos modelos de sucesso. Saramago não usa pontuação, e Kafka usa a escrita do absurdo, que põe tudo em causa.
No Processo, a trama é cheia de gaguez, é diferente, foge à norma – vão buscar K. a casa elevam-no para ser julgado. Nem nós nem ele sabe porque é que vai ser julgado, e K. acaba mesmo por não ser formalmente acusado ou julgado.

Deleuze filosofo da multiplicidade. Multiplicidade de pensamentos com Guattari e não pensamento conjunto. Pensamento conjunto é o pensamento rígido. Com a multiplicidade, cada um pensa coisas diferentes, pensa de forma rizomática, criando linhas de fuga.

Para mim, não basta ser moderno. A modernidade é a continuação da tradição, é a sua evolução. Se todos estivessem no dominio da modernidade, então ela passava a ser tradição, passava de coisa nova a coisa velha. A tradição de hoje já foi Modernidade em tempos.
A questão é ser diferente, mais que ser moderno. É ser pentágono numa sociedade de círculos, de pensamentos arbóreos, rígidos, com principio e fim. É ser erva daninha no meio de um jardim de belas flores. As flores são artificiais, crescem no canteiro, mas não podem crescer no meio do nada, entre as pedras de um passeio. A erva daninha sim, ela é natural e cresce em todo o lado, tem linhas de fuga, ela é o pensamento rizomático, a criadora de coisas novas.

O Buraco Negro é a estagnação, ele é o nemesis da erva daninha e do pensamento rizomatico.
O Buraco Negro é a norma dominante e estática que deixa sair e entrar nada. O buraco negro é a tradição, a erva é a ruptura com a tradição.
É verdade que é mais comodo seguir a tradição e mais facil utilizar dualismos, o sistema binário, para entendermos o mundo, permite a categorização simples. A máquina binária é uma comodidade. Mas há coisas que nos escapam. Há os maus e os bons, há os bons vilões. Há homens e mulheres, mas há homossexuais, o devir-homossexual, ou devir-travesti. Tem de existir mais muros brancos, mais espaços lisos, livres de signos, de ideias pré-concebidas, livres de árvores.

O devir não tem passado nem futuro, o devir não se dirige a um ponto nem parte de outro. O devir é o meio. Devir é rizoma, é pensar no meio, encontrar o meio, ser diferente a meio. Aqui não há meio nem fim. O devir cria ligações, espalha-se como um rizoma, não cria pontos de ordem.

As escolas tentam ecapar, cada vez mais à hierarquia arborescente e rígida. Substitui-se o livro pela actualidade do jornalismo. Os exemplos tiram-se da actualidade das noticias e não na tradição do livro. E se o jornalismo cria matéria para ser discutida e estudade, então constitui-se como processo de criação, o jornalista torna-se autor.

Desafio é encontrar o meio entre as dicotomias. Cair no binarismo é um erro. Encontrar o meio é o caminho, é o devir, é tornar-se diferente, é encontrar outra possibilidade.
O devir é a velocidade absoluta, é a linha de fuga.
A velocidade relativa é medida entre dois pontos, mas a absoluta não. A velocidade absoluta pode ser mesmo quando se está parado, é a velocidade dos nómadas.
A velocidade absoluta é a desterritorialização, é tirar conceitos de um meio e adaptá-los a outra terra, criando uma nova terra. È tirar o conceito Buraco Negro da astronomia e aplicá-lo a uma filosofia do futuro, é tirar o Rizoma das ciencias naturais e aplicá-lo à gramática e ao pensamento.


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