Deleuze e Parnet - Rizomas Contemporâneos


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Durante bastante tempo, a literatura, e as artes estiveram organizadas em “escolas”, escolas que eram do tipo “arborecescente” (vem de árvore) E para Claire Parnet esta organização em “escolas” é sempre prejudicial porque pela sua própria organização interna provocam a esterilização dos discípulos. Estas escolas têm sempre um “papa”, manifestantes, representantes, ideais de mudança e de ruptura, tribunais...E é isto que provoca a esterilidade...este tipo de organização em que a estrutura é sempre a mesma, não muda. Não existe uma verdadeira quebra com todo o sistema instalado. Por isso é que não estou bem de acordo com a Isabel quando ela diz que as árvores são ideias novas que nos crescem na cabeça. Para mim, são um corpo de ideias sim, mas intimamente ligadas à tradição, com raízes profundas, com um tronco comum...

Actualmente, as escolas,já não são pagas, e tornaram-se uma espécie de empresa de marketing, onde o objecto de estudo já não se debruça sobre os livros, mas mais sobre a actualidade, através de artigos de jornais, emissões televisivas, debátes, colóquios... será a morte do livro, tal como MacLuhan a anunciou?

Como o principal objecto de estudo passa a ser a própria actualidade, o jornalismo ganha cada vez maior importância. E à medida que o jornalismo começa a criar cada vez mais os acontecimentos que irá posteriormente cobrir, descobre-se ele próprio como autor. Ou seja, sabemos que há cada vez mais pseudo-eventos, criados pelos próprios jornalistas por uma diversidade de factores que já todos estudámos...Se é o jornalismo que os cria, então o jornalismo torna-se também autor.

Só que isto faz com que as relações entre jornalismo e literatura, o jornal e o livro, mudem completamente. Os escritores e intelectuais passam a estar ao serviço dos jornalistas ou tornam-se eles próprios jornalistas. É como se tornassem “domesticados” pelos entrevistadores, pelos mediadores dos debates... Há como que uma “jornalização” dos escritores. (Claire Parnet chama-lhe “exercícios de palhaços”).

Já não existe a função de autor per si. Agora existem é funções criadoras..Não há sujeito, mas agentes de enunciação colectivos, não há especificidades, mas populações... ou deja, há populações de música – escrita – ciência – audiovisuais com as suas influências nos trabalhos umas das outras. O MEIO é outro dos assuntos abordado por Claire Parnet...para ela, e também para Deleuze, numa linha é necessário encontrar sempre o meio, o que é importante é o meio e não o princípio ou o fim. E este MEIO não tem nada a ver com médias ou centrismos. O MEIO é aquilo de que falámos na aula passada, é o que existe onde se dá o ENCONTRO que gera o NOVO.

Temos a tendência de dividir a realidade, o mundo em esquemas dicotómicos, esquemas esses que só separam, não conectam, não partilham, não se partilham,,, O meio é a potencialidade, é o que existe, ou poderá existir ENTRE as duas realidades que são amplamente assumidas. Nós no jornalismo temos a mesma tendência do resto do mundo, que é a de dividir a realidade em bom/mau, herói/vilão, rico/pobre, tradição/moderno...e muitas vezes fica tanto por explorar... É por isso, que os autores defendem que estes princípios são difíceis de explicar, porque no fundo são apenas potencialidades, são coisas da ordem do possível, não são ideias palpáveis ou que utilizemos todos os dias.

A ideia de DEVIR é também desta ordem. Claire Parnet diz a dada altura que DEVIR é DEVIR simplesmente. O DEVIR não tem história, não tem passado nem presente. O DEVIR não tem um princípio ou um fim, são os acidentes de percurso, não apenas nas vidas humanas. São as possibilidades que muitas vezes não se concretizam porque optamos por uma outra possibilidade – às vezes nem optamos porque já temos um plano estipulado (mas mesmo isso é uma opção). O DEVIR é encarado como uma intensidade, como uma velocidade absoluta. E uma velocidade absoluta é diferente de uma velocidade relativa. A Velocidade Relativa é a velocidade de um movimento de um ponto ao outro, ou seja, com princípio e fim. Mas o que importa é o meio, daí a importância da velocidade absoluta.

A Velocidade Absoluta é uma intensidade que permite traçar uma linha de fuga. Por isso é que parnet diz que a velocidade absoluta é a velocidade dos nómadas, mesmo quando eles se deslocam lentamente ou quando estão simplesmente parados. Uma velocidade absoluta pode ser uma imanência, não é um movimento. E os nómadas traçam uma linha de fuga, criam um espaço liso, desterritorializam-se. Se bem que eu também acho que acabem por se formar numa comunidade com valores e regras e que acabam por listrar o seu próprio território... Mas esta velocidade absoluta do DEVIR não é mensurável, é apenas o modo de estar presente ao espaço.
Eu penso que todo o texto de Deleuze e Parnet acaba por criticar o modo como se vive, como se vive num espaço... É uma crítica às máquinas de reprodução, aos sistemas binários que separam, que afastam, que dividem, em vez de aproximarem.

Para Deleuze, Viver é da ordem do DEVIR e não da ordem da História, Viver é experimentar o que está ENTRE, o que está no MEIO. A potencialidade de Deleuze está lá em latência, em potência. Parnet dá vários exemplos de como criar linhas de fuga, de como criar novas experiências, de como produzir o NOVO. Por exemplo acha que através da escrita isso se consegue...e dá exemplos de autores como Virginia Wolf ou Thomas Hardy. Segundo Deleuze eles criam uma nova Terra, tentam a desterritorialização.

No meu ponto de vista estas ideias, apesar de interessantes acabam por ser um pouco utópicas, porque todo este circuito de tentar escapar às sucessivas territorializações que nos vão sendo impostas, só vão criar novas territorializações. É como a ideia da tradição vs modernidade. A modernidade é impossível de se consumar, porque no momento em que se rompe com os valores pré-estabelecidos, tradicionais, e os novos passam a ser aceites, a modernidade acaba. É uma lógica ambivalente pois assim que é posta em prática perde o seu sentido. E o mesmo se passa com as linhas de fuga que tentamos traçar, para conseguirmos viajar com o pensamento...Quando construímos linhas de fuga vamos criar um NOVO que vai invitavelmente acabar por ser velho.


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