A Espectacularização Mediática da Política


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“A televisão é uma pastilha elástica para os olhos.”
Fred Allen, comediante

A especificidade da circunstância política contemporânea de Itália, na perspectiva que interessa a este trabalho, está ancorada na constante presença dos media e das redes mediáticas. A sociedade estruturada em rede e ambientada pelos meios de comunicação funciona como um motor reorganizador da actividade política. A novidade desta política mediatizada pode ser verificada pelas inúmeras denominações inventadas para designar o novo fenómeno político: mediapolítica (Roger-Gérard Schwartzenberg), videopolítica (Giovanni Sartori e Oscar Landi, entre outros), telepolítica (Antonio Canelas Rubim), tecnopolítica (Stefano Rodotà) e ciberpolítica (diversos autores).

Os media são a chave de toda a compreensão aprofundada da política contemporânea nos países industrializados e democráticos. Assim, ao conhecimento do povo, nas democracias, tem de chegar uma informação democrática, imparcial, pois essa é aquela que é fundamental para se compreender as principais condicionantes da actuação política. Sem a democratização dos meios de comunicação, não é possível uma democracia no seu pleno.

Os governantes que são eleitos contra o ambiente gerado à volta dos media têm mais poder, mais condições para o usar e mais capacidade reformista. Mas têm também mais problemas e dificuldades. Entre os actos eleitorais, têm toda a opinião publicada contra eles, são sujeitos a uma contínua maré de críticas e ataques. Uma das críticas sistemáticas contra Berlusconi foi ser ele detentor de um poderoso grupo de comunicação social. Como já vimos, depois de ser eleito, Berlusconi continuou a ser alvo de ataques, agora da parte da televisão do estado, que ele próprio passou a controlar. A televisão, que Berlusconi considera fundamental para exercer o poder, é hoje em dia o palco preferencial para levar a cabo a espetacularização da política.

O aproveitamento completo das potencialidades da televisão por parte dos políticos, como o Primeiro-Ministro italiano, implica perceber que a lógica produtiva deste media opera em dimensões estético-culturais e de entretenimento de massas, que levam à elaboração de produtos simbólicos. O procedimento de mediatização neste campo, portanto, pode ser definido como a adaptação das mensagens políticas aos media e às suas linguagens estético-culturais características. A política mediatizada significa a “política que transita na contemporânea dimensão pública de sociabilidade, que se procura adequar ao campo e às linguagens próprias dos media”.

A adaptação ao novo ambiente implica mudanças relevantes da dinâmica política, inclusive com a absorção de novos actores (modernos meios de comunicação socias e peritos de diversos campos, tais como publicitários, analistas de sondagens, gestores de marketing), novos instrumentos operativos (do planeamento estratégico eleitoral, de produtores de imagem), novas linguagens e modos de comunicar. Foi exactamente nestes pontos que Berlusconi teve os seus trunfos para a vitória em 2001. Foram instrumentos a que a esquerda não teve acesso, pois eram controlados, na sua maior parte, pelo próprio Cavaliere.

Mas espetacularização mediática da política não se processa só no território público da política, mas também nas dimensões íntimas dos políticos. O escândalo acerca da vida privada de políticos é sem dúvida nefasto. Mas se for o próprio político a abrir a sua intimidade de livre vontade, usando os media como canal, pode funcionar a seu favor. Foi o que aconteceu com a biografia que Berlusconi enviou a doze milhões de famílias italianas, a contar a sua vida, os seus gostos e as suas ideias. Berlusconi usou os media para entrar na esfera da opinião pública e para criar um elemento de desiquilíbrio favorável a contar para as eleições de 2001.


1 comentários a “A Espectacularização Mediática da Política”

  1. Anonymous Alberto Jorge 

    O espetáculo tem uma história de relacionamento com o poder político e a política que se confunde com a existência mesma dessas modalidades de organização social e do agir humano. A plêiade de exemplos possíveis de acontecimentos históricos, nos quais essas longas relações comparecem, não só inviabiliza sua enumeração exaustiva, como também torna desnecessária a citação de alguns deles, pois, com extrema facilidade, nossa memória histórica pode ser assaltada por inúmeros episódios, nos quais espetáculo, poder político e política aparecem em vital interação.

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