Filosofia como criação de conceitos


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O pensamento deleuzo-guattariano não pode ser caracterizado como uma fraude, visto que ele é totalmente coerente com o seu projeto: tratar o pensamento como experimentação, criação e viagem. Filosofar é criar e não participar de um encontro de "convivas bêbados", de uma " grande conversação". Para realizar essa experimentação, Deleuze e Guattari se alimentaram da "potência do falso".

Tratar o pensamento como criação é uma forma de conceber a vida como processo de criação, uma "obra de arte" constantemente vinculada a produção de singularidades e diferenças. Explodir a estratificação do conhecimento, bem como liberar intensidades ( acontecimentos) criativas é uma maneira de dissolver o pensamento reduzido às convenções autoritárias para a busca do conhecimento. O projeto filosófico de Deleuze e Guattari é o de uma filosofia da diferença, do nomadismo, das multiplicidades. A filosofia como criação de conceitos auto-referentes.

A filosofia deleuzo-guattariana é uma experimentação na ordem dos conceitos, o que caracteriza o chamado construtivismo filosófico baseado na criação de conceitos e no implante do plano de imanência. Para Deleuze e Guattari, a filosofia é a invenção de conceitos, estes possuem um rol de dados que permitem o conhecimento do modo de construção filosófica optado por Deleuze e Guattari. A tese fundamental é a seguinte: a filosofia é criação de conceitos; ora, se os conceitos auto-referentes e se a filosofia é feita de conceitos, então pode-se dizer que tal método de fazer filosofia se transforma em um discurso auto-referente, ou seja, conhecimento de si própria e não do mundo.

A postura deleuzo-guattariana sobre o que é a filosofia implica uma construção conceitual, mas se estes são auto-referentes, então a filosofia que é composta de conceitos também acaba por se transformar em auto-referência. O uso dos conceitos como singularidades produz o relativismo construtivista, que é caracterizado pela construção individual de conceitos, ou de modo sincero, cada um constrói seus conceitos e tudo fica por isso mesmo. Esse relativismo é, ao meu ver, a morte da filosofia, pois destrói um pressuposto básico filosófico: a comunicação.

Todos os movimentos de conceitos são percebidos no conjunto de livros em parceria com o psicanalista Félix Guattari. Mil platôs, tomo que dá continuação a O Anti-Édipo, é o livro dos conceitos. Deleuze chegou a considerar os seus platôs como o melhor de tudo que já tinha escrito. Em Mil Platôs, Deleuze e Guattari trabalham a filosofia de modo criativo, o pensamento conceitual atinge toda sua imanência, palavras de ordem não-filosófica adquirem estatuto filosófico, por exemplo: "rizoma", "corpo sem órgãos", "agenciamentos", "desterritorialização"; tais conceitos (e não metáforas) são utilizados para explicar ontologia, filosofia política, música, arte, ciência e uma multiplicidade heterogênea que pode ser atualizada como pensamento nômade, ou seja, que se preocupa com a criação conceitual e com o sentido.

O que está em jogo na questão do pensamento é a criação; tanto a filosofia como a ciência e a arte a fazem, nenhuma ocupa hierarquia em relação a outra, visto que essas três manifestações do conhecimento se ocupam da criação. Vejamos, assim, brevemente, como a ciência e a arte são concebidas por Deleuze e Guattari.

O plano de imanência- imagem do pensamento- é, no dito de Pelbart, o "pensamento sem imagem", "sem modelo" e "sem forma"; ou seja, para usar o estranho conceito de Deleuze e Guattari, o "espaço liso- vetorial", cortado por intensidades, por forças criativas de atualização da diferença múltipla que passam pelo virtual com um corte que retira dele consistência. O plano é a possibilidade de orientação do pensamento, o terreno pré-filosófico que vai traçar coordenadas para a construção conceitual. O plano é a casa do conceito, seu território.

O construtivismo filosófico se baseia na criação de conceitos e na instauração do plano de imanência.


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