Jornalismo: Ética, Liberdade e Lealdade


E-mail this post



Remember me (?)



All personal information that you provide here will be governed by the Privacy Policy of Blogger.com. More...



O adjectivo ético, na linguagem comum, é aplicado a comportamentos/posturas (éticos/pouco éticos) das pessoas. A palavra portuguesa deriva de dois termos gregos muito semelhantes no seu significado e pronúncia. Éthos significa hábito ou costume - entendidos, com uma certa superficialidade, como maneira exterior de comportamento; também há o termo Êthos, que tem um significado mais amplo e completo: o de lugar ou pátria onde habitualmente se vive e o carácter habitual (ou maneira de ser ou até forma de pensar) da pessoa. Assim, o ético poderia traduzir-se por modo ou forma de vida, no sentido mais profundo da palavra, compreendendo as disposições do homem na vida, o seu carácter, costumes e também a Moral.

Os termos Ética e Moral são por vezes usados com o mesmo sentido. A distinção, no entanto, pode fazer-se referindo a Moral à prática concreta dos homens enquanto membros de uma dada sociedade, enquanto a Ética é a reflexão sobre essas práticas. De facto, a existência de ideias e atitudes morais não implica a presença de uma disciplina filosófica específica (o seu estudo pode ser ocupação da Sociologia ou da Antropologia). A Ética supõe a sua justificação filosófica, a sua explicação racional, a sua fundamentação. Deste modo, podemos dizer que o tema nuclear da Ética é os actos do ser humano, enquanto ser possuidor de razão. Os actos que são livres e, enquanto tais, correctos ou incorrectos, justos ou injustos - de um modo mais simples, bons ou maus.

Portanto, a Ética estuda o Bem e, assim, o seu objectivo é a virtude da condução da vida, facilitando a realização das pessoas de modo a que o ser humano consiga atingir um patamar próximo da perfeição, isto é, a realização de si próprio como tal, como pessoa. Em A Filosofia No século XX, Heinemann formula assim a questão central a que esperamos que a Ética responda: "Que devo escolher?” a qual inclui as seguintes questões parciais:

“1. Que devo escolher entre os bens desta terra? Há um valor supremo? Há uma hierarquia de valores?
2. Que forma de vida devo escolher? Que espécie de homem devo ser?
3. Que devo querer? Que devo fazer?"[1]

Mas nas relações sociais estas escolhas e decisões são tomadas tendo em conta que o ser humano nunca é um ser só e único, livre de interacções. Numa sociedade só é possível entender as relações do Homem na medida em que se conte com o Outro. A Ética do Homem, projecta-se, assim, no outro. A nossa Ética afecta o Outro, e afecta as relações interpessoais que temos com o Outro. É portanto, um conceito indissociável do conceito de Liberdade, que vamos introduzir de seguida.

E a Liberdade entra no domínio da Ética na medida em que é objectivo desta preservar e promover as liberdades pública e privada de modo tal a possibilitar a maior realização possível das diversas singularidades (dentro da esfera das relações com o Outro) humanas que não sejam contraditórias à própria promoção da Liberdade. Logo, a Liberdade apresenta-se-nos como o espaço em que Eu realizo a minha vontade, delimitado pelo escrúpulo. E esse espaço é a Ética.
A Liberdade, no entanto, não é uma qualidade transcendental ou metafísica, ou uma simples ideia suposta como condição da responsabilidade individual pela acção moral. Pelo contrário, a Liberdade é um exercício histórico, delimitado por um contexto social particular.

Por ser de tal modo histórica, a Liberdade supõe condições políticas, educativas e também éticas para se realizar como manifestação de cidadania. Por isso é que no tempo do Nazismo, por exemplo, a Ética não é entendida como nós a entendemos hoje. Era condicionada por outros factores e tinha outro sentido que era reflectido pelo contexto em que se vivia. A juntar a estes conceitos temos ainda o de Lealdade. De facto, a Lealdade para com o outro é o garante de um bom comportamento ético e de um bom exercício de Liberdade. Vemos, então, que a ética existe em função da necessidade de o Homem agir dentro de determinadas regras de conduta para com o Outro (Contrato de Lealdade e Livre Arbítrio)[2].

Mas o individualismo contemporâneo faz dos indivíduos cada vez mais isolados e preocupados consigo próprios. O importante é ter uma boa profissão e um bom salário. Será o que acontece actualmente no Jornalismo? O Jornalismo é uma profissão peculiar. Há um Código Deontológico mas muitas são as discussões sobre qual é a entidade que regula e/ou vigia o 4º Poder. Nelson Traquina apresenta uma teoria diferente que não passa por nenhuma instituição oficial semelhante a uma Ordem dos Advogados.

“Os cidadãos, assumindo plenamente a sua cidadania, devem vigiar o Quarto Poder.” Mas o que significa “assumir plenamente a sua cidadania” ? Segundo Traquina, a plena cidadania refere-se “à (...) capacidade de compreensão dos assuntos cívicos e de avaliação crítica das notícias.”[3]

[1] Heinemann, Fritz - A Filosofia no século XX, 2ª edição, FCG, Lisboa, 1979, p.434
[2] Apontamentos pessoais, cadeira de Ética e Deontologia do Jornalismo, Escola Superior de Comunicação Social, Curso de Jornalismo, 3º ano (2002-2003).
[3] Traquina, Nelson, “Opinião: Quem vigia o Quarto Poder?”, Newsletter da Obercom, Novembro 2002 (www.obercom.pt)


0 comentários a “Jornalismo: Ética, Liberdade e Lealdade”

Apague estas letras e preencha com os seus dados

      Convert to boldConvert to italicConvert to link

 


Feixes Passados

Arquivos Gnósticos

Ligações Hertzianas


ATOM 0.3